Artigo de Dr. Sérgio Pacheco – 23 de junho de 2026

Nenhum gestor, médico, secretário ou representante público consegue cuidar bem de uma cidade se não souber escutar quem vive os problemas todos os dias.

Por isso, a realização da Etapa Municipal da 18ª Conferência Nacional de Saúde em Piracicaba merece destaque. O encontro reuniu a sociedade para debater propostas, prioridades e caminhos para o SUS, com o tema “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar do Brasil”.

Esse tipo de participação é muito importante porque a Saúde é feita por quem está na recepção da unidade, por quem espera uma consulta, por quem trabalha na Enfermagem, por quem dirige uma ambulância, por quem cuida de um filho doente, por quem acompanha um idoso, por quem atua nos conselhos, nas entidades e nos bairros.

Uma Conferência de Saúde é mais do que uma reunião. É um momento em que a cidade olha para si e pergunta: o que precisa melhorar? O que já avançou? O que deve ser prioridade daqui para frente?

Piracicaba tem feito um esforço importante para reorganizar a Saúde, ampliar serviços, melhorar estruturas e aproximar o cuidado da população. Isso precisa ser reconhecido. A gestão do prefeito Helinho Zanatta colocou a Saúde no centro da agenda e esse é um caminho correto, já que poucas áreas dizem tanto sobre a vida das pessoas quanto a Saúde.

Mas Saúde pública nunca termina. Sempre haverá novos desafios, demandas, gargalos e necessidades. É por isso que a escuta precisa ser permanente.

Como médico, aprendi que a primeira parte de qualquer cuidado é ouvir. O paciente chega com uma dor, mas também chega com uma história. Chega com medo, com dúvida, com uma família preocupada, com uma rotina afetada. Quando o profissional escuta com atenção, ele enxerga mais do que um sintom: ele enxerga uma pessoa.

Piracicaba tem profissionais comprometidos e uma rede que trabalha todos os dias para atender milhares de pessoas. Valorizar essa rede também é parte do cuidado. Quem cuida da população precisa de estrutura, respeito e condição de trabalho.

É aqui que entra uma questão maior: Piracicaba precisa ter voz forte também fora daqui.

Muitas decisões sobre financiamento, programas, equipamentos, custeio, Atenção Básica, média complexidade, saúde mental e hospitais passam por Brasília. E uma cidade-polo como Piracicaba, que atende sua população e influencia toda a região, precisa ser ouvida nesse debate.

Não basta Brasília criar programas. É preciso que esses programas cheguem bem ao município. Não basta falar de recurso. É preciso saber onde o recurso faz mais falta. Não basta defender o SUS de forma genérica. É preciso conhecer a unidade, a fila, o hospital, a família e o profissional que estão na ponta.

Por isso, quando Piracicaba se organiza, participa e debate a Saúde, ela dá um recado importante: a cidade quer avançar com responsabilidade, com planejamento e com presença.

Cuidar de Piracicaba é ouvir Piracicaba. É reconhecer o que está dando certo, corrigir o que ainda precisa melhorar e buscar mais força para que a cidade receba o respeito que merece.

A Saúde começa na escuta. E quando uma cidade aprende a escutar melhor, ela também aprende a cuidar melhor.

Dr. Sérgio Pacheco é médico intensivista, cardiologista, ex-secretário de Saúde e vice-prefeito de Piracicaba. Com atuação marcada pelo cuidado com as pessoas, esteve na linha de frente da pandemia, trabalhou para reduzir filas na Saúde pública e ajudou a modernizar o atendimento com iniciativas como o PiraSUS. É pré-candidato a deputado federal.

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